quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Histórias do clube do Regime Sporting - De pistola em punho na cabine do Arbitro



A história que tantas vezes querem branquear e que tantas vezes é ignorada pela comunicação social portuguesa, aquela história que os sportinguistas não querem que se conte...
A história que vos vou contar passou nos “históricos” salazaristas anos 50 e 60.

 11 de Novembro de 1956, no Campo da Tapadinha, num Atlético – Sporting.




Ao intervalo o jogo estava empatado 1-1 e, pelos vistos, o presidente do Sporting – Carlos Góis Mota – não estava a gostar da arbitragem de Braga Barros, árbitro de Leiria. Vai daí, não esteve com meias medidas, invadiu a cabine do árbitro e, segundo foi referido na altura, de pistola em punho “aconselhou-o a tomar mais atenção na 2ª parte pois poderia prejudicar-se”.
O Sporting acaba o jogo com uma vitória por 3-1.

Não, não é verdade que Góis Mota fosse da PIDE. Era “apenas” presidente da Legião Portuguesa, uma milícia criada em 1936, que estava sob a alçada dos Ministérios do Interior e da Guerra, e que nas décadas de 50 e 60 se caracterizou pela perseguição e repressão às forças oposicionistas ao regime, para a qual contribuiu o seu Serviço de Informações e a sua vasta rede de informadores.

Nota: O Dr. Carlos Cecilio Nunes Góis Mota tomou posse como presidente do Sporting em 28 de Janeiro de 1953 exercendo o cargo até 31 de Janeiro 1957. Participou por mais nove vezes na Direcção do Clube, duas como vogal e sete consecutivas como vice-presidente, desde 19 de Janeiro de 1946 a 30 de Janeiro de 1952.

3 comentários:

abidos disse...

Kapotes

Um ex-dirigente do Atlético (e ex-seccionista do Benfica, do Basket creio) já foi à Benfica TV explicar esta história, num programa com o Alberto Miguéns.

Parece que a 'coisa' não se passou totalmente assim!!! Parece que ele andava sempre armado, estilo Cowboy!!! E nesse jogo, terá se aproximado da cabine, e do corredor, terá gritado a alto e bom som, para os árbitros ouvirem, as ditas ameaças. Parece que não pegou na arma, tinha-a à cintura... mas só perguntando ao Miguéns!!!

Esta entrevista na Benfica TV foi na sequência de um artigo no jornal do Sporting, onde este ex-dirigente do Atlético foi entrevistado, só que os jornaleiros-Lagartos resolveram 'alterar' as respostas do entrevistado, para o Sporting ficar mais bem visto!!! (Algo que deixou o senhor bastante irritado, e com toda a razão) Sendo que os cronistas (estilo Ernesto e ROC) imediatamente citaram a dita entrevista como prova da inocência do Góis Mota.

A História da vida Lagarta é tão parva, e os exemplos são tantos, que não é preciso exagerar.

Abraços

marley disse...

Também ouvi essa história exactamente num programa da Benfica TV com o Miguéns. Não sei se passou ou não como o Kapotes diz ou se foi como foi ventilada no dito programa. Seja como fôr é de um ridículo sem limites e mostra que ser da Pide ou da Legião é quase a mesma coisa. Reinava a prepotência e a intimidação!
Viva o Benfica e o único clube verdadeiramente democrático.
maria

Luís S Howell disse...

Há aqui uma grande confusão.
O jogo em que isto sucedeu foi a 13 de Dezembro de 1953, e o Atlético venceu por 3-1, com 1-1 ao intervalo. A situação foi despoletada pela expulsão do jogador do Sporting, Aparício.
O escândalo foi tal que o "Jornal de Notícias" publicou o relatório do Árbitro a 17 de Fevereiro de 1954, do qual possuo o texto.
O Árbitro, o portuense Clemente Henriques refere as ameaças verbais mas não refere o incidente da arma, pelo que este não deverá passar de uma lenda saborosoa. De facto, nascido que sou em Alcântara, sempre ouvi a história, da qual não sou contemporâneo, como "a do dirigente do Sporting que entrou armado no balneário" e nunca como "a do dirigente do Sporting que entrou de arma em punho no balneário".
É aceitável supor-se que o presidente leonino tenha entrado armado, porque sempre assim o andaria e que tenha evidenciado a existência da pistola ou revólver, afastando ligeiramente o casaco, não mais que isso.
O jogo de 1956 a que se referem, foi arbitrado por Braga Barros, de Leiria e o Sporting venceu-o por 1-3, não fruto desta ou daquela ameaça, mas porque o Guarda-redes Correia deu dois frangos. A única semelhança entre estes dois jogos é o resultado ao intervalo. 1-1.