segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Jorge Jesus sujeito a suspensão de uma semana a nove meses

O treinador do Benfica, Jorge Jesus, poderá enfrentar uma suspensão mínima de uma semana e máxima de nove meses, caso a Comissão Disciplinar da Liga considere que agrediu, ou tentou agredir, Luís Alberto, jogador do Nacional, no final do encontro entre as duas equipas, no sábado.
O relatório do árbitro, Rui Costa, não refere os incidentes no centro do relvado após o final da partida, mas as imagens televisivas podem ser usadas como meio de prova, caso o órgão disciplinar da Liga considere que há motivos para agir.

No entanto, só na terça-feira, dia em que se reúne a Comissão Disciplinar da Liga, será possível perceber se este órgão entende que o comportamento de Jesus é merecedor da abertura de um processo disciplinar.

Os dois intervenientes admitiram a existência de empurrões mútuos no final do encontro. “Palavra para cá, palavra para lá. Empurra para cá, empurra para lá. Mais nada”, desvalorizou Jesus, em conferência de imprensa.

O Benfica, entretanto, recusou qualificar os incidentes como tentativa de agressão, salientando que tudo não passou de meros “empurrões”.

A definição dos incidentes será importante, já que o regulamento disciplinar prevê sanções para agressões e tentativas de agressões.

No caso de uma agressão a um jogador, um treinador é punido com uma pena que vai de 23 dias a nove meses de suspensão. No caso de uma tentativa de agressão, a punição varia entre uma semana e três meses de castigo, para além de multas pecuniárias nos dois casos.




Fonte:
Jornal "Público"

domingo, 23 de janeiro de 2011

Jorge Schnitzer (SIC) sobre a venda dos Direitos Televisivos da F.P.F à Olivedesportos


 Entrevista de Jorge Schnitzer ao jornal "Público" de 1994

 Decorria o Mês de Fevereiro de 1994, a luta pela aquisição dos direitos televisivos pelo jogos da Seleção de Futebol estavam no final, segundo Jorge Schnitzer à época Editor de Desporto da SIC à muito que a F.P.F já teria tomado a decisão de vender os direitos aos mesmos de sempre a Olivedesportos de Joaquim Oliveira

Será o culminar de um processo que teve início semanas antes do sorteio do Campeonato da Europa de futebol, que colocou Portugal no Grupo 6, juntamente com a República da Irlanda, Áustria, Letónia, Irlanda do Norte e Liechtenstein. Tudo indica que a empresa de Joaquim Oliveira será a vencedora, uma vez que a verba apresentada foi superior à da sua concorrente, a LPE. A acontecer, esta decisão abre o mercado a todas as televisões (a LPE é subsidiária da RTP), cabendo à Olivedesportos comandar as negociações seguintes, nomeadamente escolher o canal televisivo para transmitir esses jogos. Até ao momento, a RTP tem tido as «preferências»de Joaquim Oliveira.

Contactado pelo PÚBLICO, o editor do desporto da SIC, Jorge Schnitzer, foi peremptório ao afirmar que a decisão da FPF já há muito está tomada: «A Olivedesportos já ganhou esses direitos de transmissão. Oficialmente, ainda nada foi dito, mas ninguém que conheça minimamente o futebol português tem dúvidas sobre isso.» Uma situação com a qual Jorge Schnitzer discorda em absoluto porque, na sua opinião, sempre pessoal -- como o próprio faz questão de salientar --, o concurso deveria ter apenas «envolvido a federação e os canais televisivos, e nunca um intermediário», que apenas vai inflacionar o preço das transmissões.
«Uma vez mais, quem apresentou a melhor proposta, que foi a SIC, não ganha, e não se compreende porque é que não são os próprios operadores televisivos, públicos ou privados, a negociar directamente o contrato. O que agora deveria acontecer era que os três canais se entendessem e não negociassem com ninguém. E aí a Olivedesportos que arranjasse meios e transmitisse», comenta Jorge Schnitzer, recordando depois o sucedido com as negociações para o «Nacional» de futebol. «A SIC apresentou primeiro uma proposta de 50 mil contos, que foi coberta pela RTP, 55 mil contos. Entretanto colocou-se um intermediário pelo meio e o contrato ficou em dois milhões e 480 mil contos.»
O primeiro passo da federação neste processo, que hoje poderá conhecer o seu desfecho, baseou-se numa consulta aos três canais de televisão portuguesa, tendo-lhes sido pedida a apresentação de propostas para a negociação de transmissões nacionais de um conjunto de 15 jogos da selecção «A», que incluía cinco encontros do «Europeu», outros tantos do «Mundial» e os restantes de partidas particulares, ou seja, um contrato até 1994. A resposta foi dada antes de serem conhecidos os adversários de Portugal no Campeonato da Europa, com a SIC a apresentar a proposta mais alta, 250 mil contos, contra 170 mil contos da RTP, enquanto a TVI avançava com uma verba de metade do valor da proposta da televisão estatal.
Feita a sondagem, a FPF consultou de seguida os operadores nacionais possuidores deste mercado, a Olivedesportos e a LPE, para os direitos nacionais e internacionais de transmissão televisiva e publicidade, partindo do pressuposto de que as suas receitas teriam de ser no mínimo de 500 mil contos. A LPE, em conjunto com a RTP, apresentou uma proposta inferior à Olivedesportos.




Fonte:
Entrevista de Jorge Schnitzer ao Jornal "Público"
em  22/02/1994

A Verdade e Interrogações Sobre os Desentendimentos do Benfica - Nacional

Circula por jornais desportivos online como A Bola e blogs o video da tentativa de agressão do empurrão de Jorge Jesus a um jogador do Nacional da Madeira.

Esse video está editado e cortado para não mostrar o início de toda a confusão que foi provocada por jogadores do Nacional. Eu vi claramente no Estádio da Luz os jogadores do Nacional a dirigirem-se aos do Benfica que estavam no meio campo e a provocarem toda esta esta confusão e a Sapo tem todos esses acontecimentos registados em video do princípio ao fim.

Lembram-se do Braga - Benfica da época passada em que Cardozo levou um murro e acabou suspenso? Este filme é exactamente o mesmo.

Se é a Sapo, que pertence à PT que por sua vez detém também a MEO, que é parceira da Benfica TV e que produz os videos dos resumos do Benfica que estão disponíveis no próprio site do clube porque é que não apresenta o video na íntegra de todos estes acontecimentos e não a partir do momento da tentativa de agressão do empurrão de Jorge Jesus mas sim uma versão alterada com o propósito de prejudicar o mesmo?

Este video da agressão foi produzido pela própria Sapo para a Sapo Desporto, porque é que não mostram a verdade que foi os jogadores do Nacional a provocarem toda esta situação quando os jogadores do Benfica se aproximavam do centro do terreno para aplaudir o público como é costume?

Isto é fogo de artificio para a comunicação social e as pessoas falarem de outra coisa que não mais uma vitória do Futebol Corrupto do Porto através de um penalti. Nunca a expressão levados ao colo se aplicou tão bem. A verdade desportiva que eles querem é esta, a da mentira.

Agora vamos ver que castigo Jorge Jesus vai ter...

Alteração: Correcção do texto e link para o comunicado oficial do SLB sobre este assunto.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Rogério Ceni o mito



Rogério Ceni o mito
 
Nascido a exactos 38 anos na cidade de Pato Branco no Paraná, o goleiro com 96 gols pela conta do São Paulo futebol clube e dele mesmo (2 gols contado em amistoso). E 94 gols pela FIFA.
Rogério Ceni começou sua carreira de goleiro (guarda-redes) pelo Sinop de Mato Grosso e logo na estreia defendeu um penalti contra o Cáceres e logo virou titular da equipe do centro-oeste brasileiro. Onde conquistou seu primeiro titulo sendo profissional. O campeonato Mato- grossense de 90.
No dia 7 de Setembro de 1990, Rogério desembarca em São Paulo para fazer teste no tricolor paulista, depois de muita luta, esforço e sacrifício conseguiu passar nos testes, mas mesmo assim no começo foi difícil, pois ele era apenas o sexto ou sétimo goleiro reserva do Zetti que seria bicampeão da Libertadores da América e do mundo em 92/93 com o São Paulo e campeão brasileiro em 91. Mas voltando ao Rogério, ele no começo teve que treinar muito e como não ganhava muito bem, teve que morar no CT. Mas em 1993, Rogério Ceni teve sua chance, após conquistar o titulo da Copa São Paulo de Futebol Jr que acontece em homenagem ao aniversario da cidade. O São Paulo Futebol Clube para disputar a Copa Conmebol montou um time de jovens talentos em função da maratona de jogos que vinha enfrentando, viajando para disputar torneios em varias partes do mundo e Rogério e outros jogadores tiveram oportunidade de mostrar serviço e até mesmo um lugar no time principal. Comandado pelo Muricy Ramalho o Expressinho como ficou conhecido conquistou a taça aquele ano contra o Peñarol do Uruguai e Rogério conseguiu tornar-se o reserva do Zetti.
Em 1997, assumiu a titularidade do time. E também desenvolveu duas habilidades que o acompanham até hoje, ele falava para o Zetti cobrar faltas e desenhar seus próprios uniformes. E no dia 15 de Fevereiro de 97 na cidade de Araras no interior de SP contra o União São João, marcou seu primeiro gol numa cobrança de falta pelo campeonato Paulista. Em 2005 Ceni marcou 21 gols e foi um dos artilheiros do São Paulo no ano. Mesmo ano que conquistou a Taça Libertadores da América, o campeonato Paulista com alguns jogos de antecedência e acabou com a invencibilidade de 11 jogos do Liverpool parando Steve Gerrard no mundial e sendo escolhido o melhor jogador do torneio daquela edição. E na historia do São Paulo em Libertadores é o maior artilheiro do clube com 11 gols marcado. Deixando para trás Muller, Palhinha e um dos maiores artilheiros e atacantes que o São Paulo já vestiu a camisa do clube o uruguaio Pedro Rocha. 10 gols cada. No dia 20 de Agosto de 2006 pelo campeonato brasileiro de futebol, Ceni ultrapassou o goleiro paraguaio Chilavert com 63 gols contra 62.
E no ultimo domingo 16 de Janeiro de 2011 ele marcou o primeiro gol do time nessa edição do paulistão 2011 contra o Mogi Mirim. E no mundial FIFA interclubes é o primeiro e único goleiro até hoje a ter marcado um gol no torneio, foi contra o Al-Ittihad da Arábia Saudita em 2005.
Todos os jogos que ele marcou um gol o tricolor Paulista só perdeu 2 jogos e empatou 19 e ganhou 67. E é o jogador que mais vestiu a camisa do clube com 944 jogos.
Em 2009 lançou um livro chamado Maioridade penal que conta a historia de seus 18 anos de carreira conta a historias sobre o futebol o que ele passou e viveu das dificuldades dos momentos engraçados e das influencias dos treinadores e de sua personalidade.
Em 2007 foi o primeiro e único jogador sul americano até o momento a ser indicado a um prémio da revista France football, mas acabou ficando em vigésimo sétimo.
É um dos atletas que buscam a perfeição, desde que passou a treinar falta fica até depois do treino aprimorando esse fundamento para executar com perfeição durante a partida.
E os principais títulos que conquistou foram:
1 Campeonato Mato-Grossense (90)
2 Copa Libertadores da América (93-05)
1 Troféu cidade de Santiago de Compostela (93)
2 Mundial de clubes (93-05)
3 Campeonatos Paulistas (98-00-05) e 1 Super Paulistão (02)
3 Campeonatos brasileiros (06-07-08)
1 Copa América (97)
1 Copa do Mundo (02)
E muitos prémios individuais, como bola de ouro, bola de prata, melhor jogador da final e melhor jogador do mundial FIFA e melhor jogador do brasileiro por 2 oportunidades seguidas, melhor goleiro do brasileiro e Rei da Bola do brasileirão.
Uma homenagem ao “Air” Ceni por tudo o que tem feito ao futebol e ao São Paulo Futebol Clube durante esses 21 anos de clube. Obrigado Capitão.
"Eu adoro isso aqui, eu adoro esse clube, vou sentir muita falta o dia que tiver que parar, o dia que tiver que encerrar. Sei que vai chegar o dia, mas, até lá, eu vou ser sempre o são-paulino mais apaixonado que já passou por aqui, pode ter certeza." (Rogério Ceni)



Fontes: http://esporte.uol.com.br/futebol/biografias/20/rogerio-ceni/ http://pt.wikipedia.org/wiki/Rog%C3%A9rio_Ceni

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Pinto da Costa e Amigos - Parte I

O clube de Pinto da Costa tinha atingido o auge tanto em termos nacionais como europeus. Era o apogeu, o delírio e o júbilo de um povo que nunca se tinha visto em tamanha aventura. PC fez esquecer o seu velho e grande amigo Pedroto, evitando qualquer comentário que pudesse recordar o velho mestre. A glória tinha de ser só sua e de mais ninguém. A cidade caiu-lhe aos pés, e foi a partir dessa altura que PC tomou consciência do poder que tinha e que Reinaldo Teles começou a alimentar a sua grande esperança de um dia vir a ser alguém no seu clube.

Reinaldo tinha Pinto da Costa quase na mão, através dos assíduos encontros deste
último com as suas miúdas. As amantes sucediam-se e até entravam em lista de espera.
PC sentia-se um Don Juan e conhecia uma vida totalmente diferente daquela a que
sempre estivera habituado. O poder alimentou ainda mais a sua ambição e começaram aí as
traições aos seus melhores amigos.
Umas como pura defesa pessoal, outras para abrir caminho para os que iam chegando e prometiam uma maior subserviência, o que lhe dava a garantia de poder governar sozinho e principalmente sem ter de dar muitas explicações.


Os títulos traziam muito dinheiro para os cofres do clube Pinto da Costa já tinha esquecido os momentos em que era apenas um vendedor de fogões, muito embora continuasse ligado à mesma firma, onde mantinha uma posição superior. Os milhares com que tinha de lidar começaram a toldar-lhe a mente e a aumentar a sua ambição.
O seu clube era um grande chamariz para os grandes negócios e não faltaram oportunistas para tirar partido disso. Foi nessa altura que surgiu um empresário italiano muito ligado à venda de jogadores, mas com negócios ilícitos à mistura. Luciano D´Onofrio já tinha jogado futebol em Portugal, e acabou por criar raízes no nosso país, mais propriamente a sul, aproveitando uma grande parte do seu tempo para entrar nas redes ligadas ao tráfico de droga... e era mesmo vital aquele ponto geográfico para o negócio!
Luciano D´Onofrio, um indivíduo baixo, magro e com cara de rato, de nariz afilado
mais parecendo um bico, apareceu pela mão de Reinaldo Teles e recebeu a bênção de
PC.
D´Onofrio era um empresário sem escrúpulos e com alguns mandatos de captura em
diversos países europeus, precisamente por tráfico de droga, mas foi acolhido como uma
pessoa de grande interesse para o clube. Pinto da Costa foi quem mais lucrou com a sua
vinda. Os jogadores do seu clube inflacionaram-se no mercado europeu, e D´Onofrio viu ali um grande negócio para si e para PC. Em todos os jogadores que fossem negociados para o clube ou que saíssem dele, o presidente teria sempre a sua percentagem, desde que mais ninguém interferisse no negócio. Após o recebimento das primeiras comissões Pinto da Costa via-se rodeado por dois elementos ligados ao mundo do crime. Não era segredo para ninguém que Luciano D´Onofrio tinha ligações com a Mafia italiana e que Reinaldo mais alguns familiares viveram sempre de habilidades e negócios marginais, negócios centralizados na prostituição e na receptação de objectos roubados. «Pena é que estes ramos não estejam inscritos nos fundos comunitários», costumava dizer Reinaldo, que um dia ficou deliciado quando em Amesterdão viu umas garinas expostas em montras. Por um só momento, Reinaldo viu a rua de Santa Catarina transformada um gigantesco bordel, imaginando situações do tipo «leve três e pague duas» ou «pague o seu bacanal em dez suaves prestações». Mas era sonhar muito alto.
Foi este tipo de gente que fez engolir em seco muitas pessoas honestas e com dignidade
que estavam ligadas ao clube. Alguns protestaram, defenderam a ideia de que o clube tinha de ser gerido com mais transparência e acabaram por ser afastados. Como aconteceu com Alberto Magalhães, reputadíssimo empresário. PC, cada vez mais lá no alto, qual Deus do Olimpo, qual César à frente das legiões, não dava tréguas:
- Aqui quem manda sou eu, e quem não estiver bem que se afaste!
O clube vivia momentos conturbados em termos directivos, mas os resultados desportivos eram óptimos. Consequentemente, Reinaldo Teles ia subindo na hierarquia do clube. Já tinha subido de chefe de segurança a chefe de departamento de futebol, uma ascensão que deixou muita gente de boca aberta, mas que foi aceite sem grande contestação, pois nessa altura já Reinaldo tinha todo o seu staff de segurança organizado. Reuniu alguns dos maiores rufias da cidade, alguns dos seus conhecidos dos negócios marginais e de prostituição, e impôs um cordão de silêncio tanto a jornalistas como a dirigentes. Quem contestasse ou denunciasse algo que não convinha, recebia a visita de um desses marginais e ficava sem vontade de dizer mais nada, subordinando-se ao silêncio e à aceitação dos factos.
Nem os sócios conseguiam fugir a esta perseguição.
Mas quando as derrotas surgem ou os resultados demoram a aparecer e as exibições não são as melhores, há sempre associados que contestam. No final de um jogo em que o clube tinha perdido, um associado, passando ao lado dos balneários, não se coibiu de lançar alguns insultos ao presidente e seus pares. - Filhos da puta, chulos, vão trabalhar!
Pinto da Costa, que estava de sobretudo e mãos nos bolsos, tendo a seu lado Reinaldo Teles e mais dois dirigentes de menor importância, todos rodeados por quatro capangas, deu de imediato uma ordem em surdina:
- Fodam-me esse gajo!
Os quatro capangas deram meia volta, seguiram o indivíduo até às imediações do estádio e deram-lhe uma sova, perante o olhar incrédulo das outras pessoas que não sabiam muito bem o que se estava a passar. Era a lei da força e do silêncio.
O esquema estava montado, e dirigente que ousasse abandonar o clube e falar do que
ouviu ou viu, sabia bem o que lhe poderia acontecer.
O grupo de seguranças foi-se refinando alicerçado pela parcialidade e impunidade com que os próprios jagunços era tratados e alongou-se até alguns agentes de autoridade que não se importavam de ostentar as suas armas como forma de intimidação. Foi sobre esta onde de poder e segurança que Pinto da Costa construiu o seu império e imperializou a sua própria imagem. Ele sentia-se um Al Capone à portuguesa, com a vantagem de não poder ser  apanhado pelo fisco, pois não tinha rendimentos legais que justificassem qualquer tributação. Tinha, isso sim, o poder nas mãos e ficou ainda mais seguro disso a partir do dia em que se aliou a um bruxo muito conceituado em terras brasileiras que dava pelo nome de Pai João (Delane Vieira), um bruxo que não se limitava aos orixás, fornecendo também a equipa de futebol com frasquinhos de vidro que continham um guaraná em pó muito especial, esmagado por uma tribo de índios do interior do Brasil. O «speed», normalmente recomendado para os gulosos do sexo, ajudava os craques e, aliado à normal injecção de «vitaminas», tornava-os super-homens dentro do campo. E era certo que a aparelhagem do anti-doping estava completamente desajustada para detectar o que quer que fosse. Mas até este sector, a seu tempo, foi devidamente controlado.
Entretanto, Reinaldo Teles não cessava a sua actividade, continuando a arranjar as melhores amantes para Pinto da Costa e a dar-lhe toda a protecção. Rodeado de poder, mas ainda sem dinheiro, o presidente, como lhe chamava Reinaldo, tinha algumas limitações, mas nunca esqueceu o velho amigo Ilídio Pinto, a quem continuava a extorquir o dinheiro que queria para efectuar alguns negócios, sempre com a promessa de que um dia este viria a ser vice do futebol profissional.
- É uma questão de tempo. Você tem de ter paciência. Necessito de si em lugares
mais importantes para a vida do clube. Um dia o futebol será seu.
Com estas palavras de Pinto da Costa, o Ilídio lá ia passando uns cheques e cobrindo algumas despesas, porque fortuna pessoal foi coisa que nunca se conheceu ao presidente.
O grande negócio acabaria por surgir.
Um clube espanhol (Atlético de Madrid) interessou-se pela aquisição de Futre, e o seu presidente resolveu vir a Portugal contactar o jogador, sem antes consultar o clube de Pinto da Costa. Mas a organização, constituída por mais de uma dezena de guarda-costas, estava sempre bem informada de tudo quanto se passava na cidade e essencialmente dos assuntos que diziam respeito ao clube. Por isso, quando chegou a boa nova de que o presidente do clube espanhol estava em Portugal para falar com Futre, foi de imediato colocado um plano de ataque em marcha, cujo nome de código era «Caça à Peseta».
Apesar de Gil y Gil estar, no seu país, bem à altura de Pinto da Costa, quando veio a Portugal estava muito longe de saber o que lhe ia acontecer. Chegou ao Porto e combinou encontro com um empresário, para avaliar a possibilidade de levar Futre para Espanha. O bar era pequeno e decorado de uma forma simples. No fundo da sala, um pouco na penumbra, estava sentado Gil y Gil à espera do tal empresário quando irromperam pela sala dentro quatro indivíduos que, sem darem cavaco a ninguém, o rodearam e apertaram contra a parede, lançando o aviso:
- Se voltas aqui sem primeiro falares com o presidente do nosso clube, podes ter a
certeza que não sais daqui vivo. Na próxima, não há aviso! - rugiu Reinaldo, decalcando
o final da sua declaração de um filme que tinha visto em Pinheiro da Cruz.
Estas palavras foram ditas com tanta certeza e segurança que Gil y Gil quase se mijou
pelas pernas abaixo. Fora a sua primeira lição como futuro presidente de um dos maiores clubes espanhóis. «Coño, em Portugal não se brinca», suspirou, ainda com as pernas a tremer como varinhas verdes. Gil y Gil não disse palavra, limitando-se a sair do bar e a enfiar-se na sua viatura, acelerando, sem olhar para trás, até Espanha. Gil até se esqueceu de comprar um queijo da serra em Vilar Formoso, como prometera a Carmen, a sua amante de Madrid/Sul.
Já no seu território, contactou directamente com Pinto da Costa, e este, sem muitas palavras, indicou-lhe um interlocutor: Luciano D´Onofrio.
- O seu braço direito? - quis saber Gil.
- Mais ou menos, pois será ele a conduzir o assunto – informou PC.
Gil y Gil ficou tão impressionado com a acção de Pinto da Costa que resolveu
oferecer um extra ao seu congénere português: uma vivenda em Madrid.
- Sim senhor, mas numa zona fina, se faz favor – aceitou PC de pronto.
D´Onofrio entretanto colocou outro jogador (Rui Barros) de PC num clube italiano (Juventus) e a soma da venda de Futre e desse jogador vendido para Itália foi de 1 milhão e 200 mil contos, uma verba que PC nunca teria imaginado poder passar pelas suas mãos. De imediato, PC juntou todo aquele dinheiro e abriu uma conta particular, prometendo aos seus parceiros de direcção que aquela verba iria servir exclusivamente para a compra de jogadores para o clube. Todos acreditaram, mas esse dinheiro desapareceu como o fumo. Para amostra não ficou nem sequer um mísero escudo.
As ligações de Pinto da Costa com situações marginais começaram a ser comentadas,
e isso criou um certo descontentamento entre alguns directores, nomeadamente no patrão da sua empresa, Alfredo Costa, e presidente do Conselho Fiscal do clube.
Ninguém como Alfredo Costa conhecia a vida de Pinto da Costa e, por isso, sabia muito
bem que este andava a vivera além das suas reais possibilidades, entrando em outros
negócios e noutras sociedades, sem se lhe conhecer a proveniência do dinheiro.
Desconfiado desta situação, como presidente do Conselho Fiscal do Clube, Alfredo Costa um dia interpelou Pinto da Costa sobre o milhão e duzentos mil contos da venda dos dois  jogadores, mas como resposta obteve apenas:
- Não tenho de dar contas a ninguém.
Alfredo Costa estava de pé frente à secretária de Pinto da Costa e quase não acreditou no que estava a ouvir. Aquela era a confirmação de que o dinheiro tinha mesmo desaparecido e não pactuou mais com a situação, demitindo-se do seu lugar de presidente do Conselho Fiscal do clube, ao mesmo tempo que intimava Pinto da Costa a
abandonar a sua empresa.
Alfredo Costa não teve contemplações:
- Recuso-me a trabalhar com gente desonesta. Na minha empresa não posso ter
indivíduos do seu quilate.
Pinto da Costa estava na mó de cima e não ficou muito preocupado com a situação.
Uma grande parte daquele milhão tinha sido investida em várias empresas com ligações
a familiares seus, mas sem o mínimo de capacidade de gestão, e todas acabaram por falir. 

O dinheiro fácil nunca é bem gerido, e o clube já estava a pagar as aventuras do seu presidente.

Mas os fiéis associados pouco se importavam com essas contas. Eles não queriam
saber de gestão, mas de golos, e esses não faltavam. Pinto da Costa e Reinaldo Teles
também sabiam disso e tinham de se organizar no sentido de garantir que esses golos e
essas vitórias nunca haveriam de faltar.
Para deixar a empresa onde trabalhava, Pinto da Costa ainda teve que pagar sete mil contos e ficou sem carro por uns tempos. O milhão e tal de contos tinha desaparecido sem deixar rastos e tinha deixado de rastos PC, a contas com a justiça, por cheques sem cobertura e penhoras a bens pessoais. Foi um momento difícil, mas que não abateu o presidente, levando-o antes a pensar que o seu negócio era o futebol. Era nessa área que se movia como peixe na água, e a modalidade não estava a ser devidamente explorada. Todos os movimentos foram reprogramados, de forma a que o clube tivesse uma gestão capaz de alimentar o seu presidente.
Reinaldo Teles acabou por subir na escala do poder no clube. O vice para o futebol foi afastado, e Reinaldo chegou-se mais ao presidente, ocupando o lugar deixado vago.
A vaidade pessoal de Reinaldo levou-o a abrir mais uma casa de alternos, desta vez mais chique e refinada. As putas eram de melhor qualidade e o champanhe também.
Pinto da Costa não perdia um strip-tease, e quando lhe agradava, saboreava ao vivo a
estrela do espectáculo. PC sentia-se cada vez mais um Al Capone à portuguesa.
Sempre rodeado de guarda-costas, assumia a pose do gangster e já tratava as
raparigas da forma que um dia vira num filme americano, nos seus tempos de liceu.
Tinham surgido alguns escândalos e alimentava-se a desconfiança em relação à forma
como os dinheiros estavam a ser geridos e distribuídos, mas aos poucos a organização refinou-se, de forma a não deixar rastos. Luciano D´Onofrio era um gangsterzinho e foi-se
apercebendo da forma pouco cuidada e pouco profissional como os assuntos eram tratados e em alguns negócios governou-se com mais dinheiro do que aquele que ficara combinado, e para anular essas fugas, Pinto da Costa resolveu montar uma sociedade secreta na Suíça para que existisse um maior secretismo. D´Onofrio era uma figura envolta em algum mistério. Tanto aparecia como, quase por artes mágicas, desaparecia, o que acontecia normalmente quando se adivinhavam maus momentos. Estas artes de prestidigitador livraram-no de muitos sarilhos, embora alguns anos mais tarde Luciano não tivesse conseguido evitar alguns dias de detenção num calabouço suíço, por suposta ligação a um caso futebolístico que abalou o futebol francês (Olympique Marselha).
PC confiava cegamente no seu amigo Luciano.
- D´Onofrio, vamos legalizar a nossa situação montando uma empresa de compra e venda de jogadores. No meu clube só você vende e compra todos os atletas, mas podemos estender o nosso negócio até outros clubes desde que se mantenha segredo absoluto.
- Está bem , presidente, você é que manda. Um dia ainda há-se ser como o
Berlusconi.
Pinto da Costa não perdeu tempo.
- Vamos já formar essa sociedade, porque tenho um negócio para ser feito já.
Na semana seguinte já estavam os dois na Suíça para legalizarem a empresa de
compra e venda de jogadores.
O seu primeiro negócio foi com um clube francês (Matra Racing de Paris) cujo
Treinador (Artur Jorge) já tinha passado pelo clube de PC.
- Temos de realizar dinheiro, porque as coisas não estão muito boas. As empresas que
tenho montado têm dado uma grande barraca e levam-me o dinheiro todo. Temos o Jorge
Plácido para vender a um clube francês.
Luciano D´Onofrio arregalou os olhos e disse com espanto:
- Mas, presidente, esse jogador não tem cotação europeia.
- Não se preocupe com isso, porque quem lá está vai querê-lo.
D´Onofrio, ainda sem acreditar no que ouvia, apesar de toda a sua experiência no
mundo das vigarices, perguntou:
- Como vai ser feito o negócio?
- O nosso clube vende o Plácido à nosso empresa por 60 mil contos e nós vendemo-lo
ao clube francês por 160 mil contos.
- Desses negócios é que eu gosto. Ganhamos mais que o clube.
- Tenho que dar uma volta à minha vida e começar a ganhar dinheiro, porque o que já
perdi não foi pouco. No futebol é que está o nosso grande negócio.
Luciano D´Onofrio arregalou os olhos e pensou de imediato em ir um pouco mais
adiante, mas resolveu não falar disso com o presidente. Preferia colocar o problema a
Reinaldo Teles, que era um elemento mais acessível para as situações de ilegalidade.
Logo que pôde, encontrou-se com Reinaldo Teles e convenceu-o a falar com o
presidente.
- Reinaldo, temos um negócio que dá dinheiro que se farta, mas tens de ser tu a falar
disso ao presidente.
Reinaldo olhou-o pensativo, mas lá acabou por se decidir.
- Não venhas com tangas p´ra mim. Diz lá que o que queres que proponha ao
presidente.
- Tenho feito aí uns negócios com cocaína e nem imaginas o lucro que isso dá.
- Estás maluco. Pensas que o presidente vai numa coisa dessas?
- As coisas estão más e é necessário realizar dinheiro. Com a protecção que o futebol
dá, podemos trabalhar à vontade.
Reinaldo Teles convenceu-se de que, de facto, havia alguma razão nas palavras de
Luciano D´Onofrio e comprometeu-se a falar com o presidente sobre o assunto.
Pinto da Costa ouviu atentamente Reinaldo e mandou-o avançar com a ideia, mas ele
queria ficar de fora.
- Resolvam lá isso vocês os dois, mas deixem-me de fora para poder controlar melhor
a situação.
Reinaldo Teles não era burro e ficou desconfiado. Naquele momento não disse nada mas, passados dias, voltou a falar do assunto.
- O melhor é ficarmos os dois de fora, e eu arranjo alguém para tratar do assunto
directamente com D´Onofrio.
De início, o negócio correu bastante bem, mas passados alguns meses, a polícia começou a ameaçar com algumas buscas, tendo inclusive ido esperar o autocarro do clube à portagem dos Carvalhos para o revistar de alto a baixo. Mas nunca encontrou nada, porque a rede  stava bem montada e não faltavam informadores. No entanto, Pinto da Costa sentiu o perigo que essa situação podia estar a criar e, como tinha consciência de que inimigos era coisa que não lhe faltava, depois das primeiras prisões de pessoas ligadas ao grupo que actuava em paralelo com D´Onofrio, deu ordem para se terminar com o negócio da cocaína que começava a ser vendida um pouco descaradamente aos próprios jogadores de futebol do FC Porto.
Pinto da Costa não perdia tempo. Não dormia só para pensar. A «coca» garantia
muitas horas de espertina, no fim de contas...


Parte II a ser públicada Sábado dia 22 de Janeiro

Fonte:
www.terceiroanel.weblog.com.pt